Fazer um arranjo é um processo complexo que une vários conhecimentos diferentes como harmonia, contraponto, composição, idiomatismo e técnica instrumental, entre tantos outros. Nesta série de postagens pretendo falar um pouco sobre como desenvolvo meus arranjos, quais são os principais parâmetros que levo em consideração ao criar um novo arranjo.

Uma das características fundamentais em qualquer música é a textura, ou seja, como as notas se organizam vertical e horizontalmente. Em outras palavras, textura é a maneira como um compositor ou arranjador dispõe melodia, harmonia e ritmo dentro de uma determinada formação instrumental. Existem muitas possibilidades de texturas no universo musical e estas possibilidades podem ser transportadas para o violão.

As texturas podem ser divididas em três grandes categorias: Monofonia (onde há apenas uma voz, podendo haver mais do que uma nota, mas somente um elemento melódico), Homofonia (onde há uma melodia principal e outros elementos que podem ser considerados apenas como acompanhamentos ou suporte rítmico-harmônico) e Polifonia (onde há mais de um elemento melódico ao mesmo tempo). Raramente um arranjo utiliza apenas umas destas três categorias, o mais comum é variar entre elas pra criar interesse no ouvinte.

Além disso, muitas texturas estão entre estas categorias ou as representam parcialmente. O quadro abaixo ilustra esta ideia, colocando graficamente algumas texturas comuns em relação às três categorias principais.

Pra ilustrar deixo aqui um arranjo polifônico de minha autoria para a música João e Maria de Sivuca e Chico Buarque.

 

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